Quando se fala em cidadania italiana, existem várias informações que circulam pela internet que não são verdadeiras.

Por diversas vezes, recebemos perguntas sobre temas que são quase mitológicos no que se trata ao processo de cidadania italiana.

E como hoje é o dia da mentira, 1º de abril, decidimos te contar quais são os principais mitos sobre o processo de cidadania italiana. Assim, você vai parar de acreditar nas mentiras que circulam por aí. 

Neste post vamos derrubar 6 mitos sobre o processo de cidadania italiana, são eles:

  1. Ter sobrenome italiano é obrigatório para ter o direito à cidadania 
  2. A linha materna tem limite de geração
  3. Se seu filho tem direito, você também tem
  4. Meus primos nasceram na Itália, também tenho direito
  5. Toda família tem um brasão 
  6. Cidadania na itália é uma excelente oportunidade para fazer um mochilão pela europa

Sem o sobrenome italiano não posso obter cidadania italiana?

MENTIRA!

Este é um dos mitos mais comuns que encontramos quando o assunto é o reconhecimento da cidadania italiana.

A verdade é que não é preciso ter sobrenome italiano para dar início ao seu processo de cidadania. Mas para ter o direito você precisa sim ter um ascendente que veio da Itália para o Brasil. 

Os sobrenomes se perdem porque nas relações alguns nomes vão sendo passados para filhos e outros não.

Além disso, quando muitos italianos chegaram ao Brasil, as pessoas que registravam os nomes em cartório escreviam do jeito que entendiam. Por exemplo, é muito comum encontrarmos Domenico, uma vez Domingos, ou Giuseppe que teve seu nome escrito como José. Muitos chamam esse fenômeno de abrasileiramento dos nomes italianos.

Assim, se você já se perguntou algo como “meu antenato não tem o nome italiano, isso não me dá direito à cidadania?”, saiba que isso não te desqualifica para o processo.

O primeiro passo, nesse caso, é fazer uma investigação genealógica para saber se você tem o direito. 

A partir disso é feita então uma montagem da sua árvore genealógica para confirmar quem seria o seu dante causa e, assim, dar continuidade ao processo no caso de uma resposta positiva da investigação.

A linha materna tem limite de geração

mulheres cidadania italiana

MENTIRA!

Devido ao fato de até o ano de 1948 as mulheres não terem permissão para transmitir a cidadania, algumas dúvidas são comuns quando esse tema é abordado. Nesse sentido, um dos mitos comuns é de que o reconhecimento da cidadania italiana via materna possui limite de geração. 

No entanto, quando se trata de cidadania italiana, isso não é previsto em legislação. Ou seja, assim como as outras vias de reconhecimento, a via materna não possui limite de geração. 

Dessa forma, a via judicial pode ser acionada, nesses casos, para qualquer geração. Além disso, hoje a legislação contempla tanto quem nasceu depois de 1948, quanto quem nasceu antes da promulgação da constituição.

Seu filho tem direito, você também tem

MENTIRA!

Por mais que a cidadania seja transmitida aos descendentes, estabelecido pela Lei Italiana de Descendência, bem como possibilite o reconhecimento mesmo que seu ascendente não tenha feito o mesmo, isso não significa que no caso do seu dependente ser reconhecido isso te conceda o direito automaticamente.

O processo, caso não tenha sido feito em conjunto, não é válido para todos os familiares. Isso significa que um processo precisará ser iniciado para que você tenha o direito reconhecido e desfrute da dupla cidadania.

Meus primos nasceram na Itália, também tenho direito

MENTIRA!

Nos processos de reconhecimento da cidadania italiana é comum que famílias compartilhem pastas de documentação ou até mesmo entrem com o processo de reconhecimento juntos. No entanto, o fato de um familiar já ter feito ou possuir o reconhecimento não te concede o direito automaticamente.

O que significa que, caso a família não tenha se reunido para dar a entrada no processo, você precisará seguir todo o passo a passo para conseguir o reconhecimento da sua cidadania.

Toda família tem um brasão 

brasão cidadania italiana

MENTIRA!

Ainda dentro da busca pelo reconhecimento da cidadania italiana , é comum vermos a curiosidade por saber qual seria o brasão da família, de acordo com o sobrenome. Assim sendo, vale trazer um pouco sobre a história dos brasões e esclarecer de onde vem essa dúvida.

Os conhecidos brasões, são descritos ainda no século XI. Eles podem ser definidos como a representação gráfica para identificar clãs, regiões, nações e até bispos. Entretanto, não representam sobrenomes, necessariamente. Ou seja, os brasões eram na verdade encomendados por famílias específicas à época. Normalmente parte da nobreza, que tinham seus brasões como demonstração do poder exercido pela família em questão.

Tendo isso em vista, nem todas as famílias possuem um brasão, levando em consideração também que, uma minoria era parte da nobreza, portanto, possuíam pouco ou nenhum acesso ao montante necessário para encomendar o item simbólico.

Mito da via administrativa na Itália: oportunidade de um mochilão

Apesar da via administrativa na Itália ser uma oportunidade incrível de vivenciar a cultura do país como um cidadão italiano, a liberdade de locomoção por um tempo fica restrita.

Isso acontece porque ao fixar residência por lá, você terá que aguardar as visitas do Vigile Municipale

Trata-se de uma forma de comprovação, já que ele irá até o endereço informado para confirmar se você de fato está residindo na Comune.

Assim, você precisará estar em casa no momento da visita. A questão é que isso pode acontecer a qualquer momento após o protocolo do seu pedido de Inscrição Anagráfica.

Nesse contexto, somente após as visitas do Vigile que o processo de reconhecimento da cidadania será feito no Ufficio Dello Stato Civile

Local onde se deve entregar todos os documentos necessários traduzidos e apostilados. Dessa forma, até esse momento não é possível passar dias fora de casa, pois pode atrasar e dificultar o seu processo por lá. 

Saiba mais sobre como é morar na Itália enquanto tira a cidadania no país:

https://www.youtube.com/watch?v=JhiiAKM70cw

Curiosidade

O 1º de abril não é o dia da mentira somente no Brasil. A data tem origem na França, no século XVI, que teve início a partir da mudança da data de comemoração do ano novo. 

À época o ano novo era comemorado no dia 25 de março e ia até o dia 1º. Entretanto, depois da adoção do calendário gregoriano, a data mudou para 1º de janeiro. Mudança essa que enfrentou resistência por parte da população em aderir à nova data. Nesse sentido, buscando esclarecer algumas dúvidas, escolhemos esse dia para falar sobre seis mentiras que contam sobre a cidadania italiana.