A história da sua família pode guardar uma conexão com a Romênia que vai muito além de sobrenomes, fotografias antigas e relatos dos avós.

Para brasileiros com ascendência romena, investigar essa origem pode representar o primeiro passo para entender se existe uma possibilidade legal de obter ou recuperar a cidadania do país.

A cidadania romena estabelece um vínculo jurídico com a Romênia e, consequentemente, com a União Europeia.

Entretanto, a origem familiar, por si só, não garante o reconhecimento: cada possibilidade depende da legislação aplicável, do histórico dos antepassados e dos documentos disponíveis.

Neste guia, você vai entender quem pode ter direito, quais são as principais vias de aquisição, como organizar a documentação e quais cuidados tomar antes de iniciar um pedido.

O que é a cidadania romena

A cidadania romena é o vínculo jurídico entre uma pessoa e o Estado romeno. A legislação do país, especialmente a Lei nº 21/1991, estabelece as condições para adquirir, recuperar e perder esse vínculo.

Quem possui a nacionalidade de um dos países da União Europeia também tem a cidadania europeia, que garante direitos específicos de circulação, residência, trabalho e estudo nos demais Estados-membros, conforme as regras aplicáveis.

Na prática, conquistar a cidadania romena pode abrir novas possibilidades acadêmicas e profissionais na Europa. O alcance desses direitos, porém, depende da situação individual e das exigências administrativas de cada país.

Vale distinguir três conceitos importantes:

  • Cidadania por nascimento: decorre dos critérios legais de nacionalidade aplicáveis ao nascimento e à filiação.
  • Aquisição por concessão: ocorre quando a autoridade romena reconhece a cidadania após uma solicitação que atende aos requisitos legais.
  • Recuperação ou restauração: pode beneficiar antigos cidadãos romenos e determinados descendentes, conforme a base jurídica aplicável.

A Lei nº 21/1991 disciplina essas modalidades e estabelece condições diferentes para cada situação. A análise começa, portanto, pela identificação do vínculo familiar ou jurídico que fundamenta o pedido.

Quem pode ter direito à cidadania romena

O direito à cidadania romena depende da situação concreta do interessado. Entre os cenários previstos na legislação estão a filiação a um cidadão romeno, a adoção por cidadãos romenos, a naturalização e determinadas hipóteses de recuperação da nacionalidade.

A tabela abaixo resume as principais possibilidades. A indicação de uma via não significa aprovação automática: o interessado precisa demonstrar o enquadramento legal e cumprir os requisitos correspondentes.

SituaçãoO que avaliar
Nascimento e filiaçãoNacionalidade dos pais no momento do nascimento e registros civis
AdoçãoIdade do adotado, nacionalidade dos adotantes e validade da adoção
Concessão por naturalizaçãoResidência, integração e demais requisitos previstos na lei
Recuperação ou restauraçãoAntiga cidadania do ascendente, motivo da perda e grau de parentesco
Descendência de antigos cidadãosContinuidade documental da família e enquadramento nos artigos 10 ou 11

A principal referência legal é a Lei nº 21/1991, disponível no Portal Legislativo da Romênia. A legislação recebeu alterações importantes, inclusive em 2025 e 2026, o que exige atenção às regras vigentes no momento do protocolo.

Cidadania romena por nascimento e filiação

A legislação romena reconhece a cidadania por nascimento em situações relacionadas à nacionalidade dos pais.

O artigo 5º da Lei nº 21/1991 prevê, entre outras hipóteses, a cidadania para pessoas nascidas no exterior quando o pai ou a mãe possui nacionalidade romena.

Assim, nascer fora da Romênia não impede, por si só, o reconhecimento da cidadania. O ponto central é verificar a situação jurídica dos pais e comprovar a filiação conforme as regras romenas.

Para brasileiros com pai ou mãe romenos, a investigação costuma começar pelas certidões de nascimento, casamento e demais registros que demonstrem a relação familiar.

A documentação e o procedimento de registro dependem do caso. Consulte as orientações da Embaixada da Romênia no Brasil para identificar as exigências consulares pertinentes.

Cidadania romena por adoção

A adoção também pode fundamentar a aquisição da cidadania romena. Conforme o artigo 6º da Lei nº 21/1991, a situação envolve crianças estrangeiras ou apátridas adotadas por cidadãos romenos, observadas as condições previstas na legislação.

A análise considera a validade jurídica da adoção, a idade da criança e os efeitos legais do procedimento. Também pode exigir documentos que comprovem a nacionalidade dos adotantes e a regularidade dos registros.

A adoção não produz automaticamente os mesmos efeitos em todas as situações. Casos internacionais precisam de avaliação específica, inclusive para verificar o reconhecimento da decisão e a documentação necessária.

Concessão, recuperação e redobândirea

O termo romeno redobândirea cetățeniei significa recuperação ou readquisição da cidadania. A legislação diferencia essa modalidade da naturalização comum e estabelece critérios próprios para antigos cidadãos e determinados descendentes.

O artigo 10 da Lei nº 21/1991 trata de pessoas que perderam a cidadania romena e de seus descendentes até o segundo grau, nas condições legais.

Já o artigo 11 contempla antigos cidadãos que perderam a nacionalidade por motivos não atribuíveis a essas pessoas ou que sofreram a retirada da cidadania sem consentimento, além de descendentes até o terceiro grau.

Essas disposições não estabelecem um direito irrestrito para qualquer pessoa com antepassados romenos. É necessário demonstrar o histórico jurídico do ascendente, a relação de parentesco e o atendimento aos requisitos aplicáveis.

As condições também mudam conforme o artigo utilizado. Entre os pontos relevantes estão a situação criminal, a lealdade ao Estado romeno e, nas hipóteses previstas em lei, o conhecimento do idioma.

A consulta à Autoridade Nacional para a Cidadania da Romênia ajuda a identificar os procedimentos e formulários oficiais atualizados.

Descendência romena: como analisar a linha familiar

Descobrir um antepassado nascido em território romeno é um ponto de partida, não uma confirmação de elegibilidade. A análise precisa reconstruir a história familiar e verificar se os fatos correspondem a uma das hipóteses previstas na legislação.

O processo exige atenção especial às mudanças territoriais ocorridas na Europa ao longo do século XX.

Uma pessoa pode ter nascido em uma região que hoje pertence a outro país, o que torna indispensável verificar as fronteiras vigentes na época e a situação jurídica do território.

Para começar, organize a investigação em cinco etapas:

  1. Identifique o ascendente: reúna nome completo, local e data de nascimento e, quando possível, informações sobre casamento e falecimento.
  2. Investigue a cidadania original: procure registros que ajudem a confirmar se o antepassado possuía nacionalidade romena.
  3. Verifique possíveis perdas: descubra se houve perda, retirada ou alteração da cidadania e em quais circunstâncias.
  4. Reconstrua a linha familiar: reúna as certidões que conectam cada geração até o interessado.
  5. Compare o caso com a lei: avalie se os fatos se enquadram nos artigos 10 ou 11, ou em outra hipótese legal.

Os sobrenomes romenos podem oferecer pistas para essa pesquisa, mas não comprovam nacionalidade nem garantem o reconhecimento do direito.

Sobrenomes semelhantes podem aparecer em diferentes países, especialmente em regiões que passaram por mudanças de fronteira.

O documento decisivo não é apenas aquele que indica a origem geográfica. É o conjunto de registros que permite comprovar a identidade do ascendente, a situação jurídica e a continuidade do parentesco.

Se a família tiver raízes em regiões historicamente disputadas, considere também variações de grafia, mudanças de idioma e alterações nos nomes dos municípios. Esses detalhes podem explicar divergências entre certidões brasileiras e registros estrangeiros.

A pesquisa genealógica deve anteceder a escolha da via jurídica. Com essa etapa concluída, fica mais fácil identificar os documentos necessários e evitar gastos com uma solicitação que não corresponda ao histórico familiar.

Documentos para solicitar cidadania romena

A documentação necessária depende da base legal do pedido e das orientações da autoridade responsável.

Nos processos relacionados à descendência, o objetivo principal consiste em comprovar a identidade do requerente, a nacionalidade do ascendente e os vínculos familiares entre as gerações.

A tabela apresenta categorias de documentos que podem integrar a preparação do processo. A lista não substitui o checklist oficial: a autoridade romena pode exigir documentos adicionais conforme a situação.

CategoriaExemplos de documentosFinalidade
IdentificaçãoPassaporte e documento de identidadeConfirmar a identidade do requerente
NascimentoCertidões do interessado e dos ascendentesComprovar filiação e parentesco
CasamentoCertidões de casamento e registros de alterações de nomeEsclarecer mudanças no estado civil
FalecimentoCertidão de óbito do ascendente, quando aplicávelAjudar a reconstruir o histórico familiar
NacionalidadeRegistros romenos e documentos históricos disponíveisInvestigar a cidadania do antepassado
Situação jurídicaCertidões e declarações exigidas para a modalidadeDemonstrar o cumprimento dos requisitos legais

Documentos emitidos no Brasil podem precisar de apostilamento, tradução para o romeno e outras formalidades. O artigo 16 da Lei nº 21/1991 estabelece regras para o reconhecimento de documentos estrangeiros, incluindo a apostila ou a legalização aplicável.

A necessidade de cada providência depende do documento, da finalidade e das orientações oficiais. Antes de contratar traduções ou solicitar novas certidões, confira os requisitos da Autoridade Nacional para a Cidadania e da Embaixada da Romênia no Brasil.

Outro cuidado importante envolve a validade e a consistência dos registros. Diferenças de nomes, datas ou locais de nascimento podem exigir documentos complementares para esclarecer a relação entre os registros.

Como solicitar a cidadania romena passo a passo

O caminho para obter ou recuperar a cidadania romena começa com a análise do enquadramento legal e termina com as providências necessárias para formalizar o reconhecimento.

Cada modalidade possui regras próprias, então a sequência abaixo funciona como orientação geral de preparação.

Fluxo geral de preparação — confirme o procedimento específico antes de protocolar o pedido.

1. Diagnosticar o enquadramento legal

Identificar se o caso envolve nascimento, adoção, naturalização ou recuperação da cidadania.

2. Reunir as certidões e os registros

Organizar documentos pessoais, registros dos ascendentes e provas de parentesco.

3. Conferir as formalidades documentais

Verificar apostilamento, traduções, validade das certidões e eventuais correções.

4. Protocolar perante a autoridade competente

Seguir as regras oficiais da modalidade e do local de apresentação do pedido.

5. Acompanhar a análise

Responder às solicitações oficiais e apresentar esclarecimentos ou documentos adicionais, quando necessário.

6. Cumprir as etapas finais

Verificar a necessidade de juramento, registro civil romeno e emissão dos documentos de identificação.

O protocolo pode envolver a Autoridade Nacional para a Cidadania ou uma autoridade consular, conforme o fundamento legal e o procedimento aplicável. A Embaixada da Romênia no Brasil fornece orientações consulares, enquanto a autoridade nacional publica informações sobre os processos de competência romena.

A análise pode incluir verificações adicionais e pedidos de esclarecimento. A aprovação depende do cumprimento dos requisitos legais, e o envio dos documentos não garante um resultado favorável.

Idioma, juramento e outros requisitos

O conhecimento da língua romena, o juramento e os requisitos pessoais variam conforme a modalidade de aquisição ou recuperação. A legislação recebeu alterações recentes que tornam especialmente importante consultar a versão vigente antes de preparar o pedido.

Nas hipóteses dos artigos 10 e 11, a Lei nº 21/1991 passou a prever a comprovação do conhecimento da língua romena, com exceções específicas.

Entre elas, a legislação contempla antigos cidadãos romenos que solicitam a recuperação da nacionalidade e pessoas com 65 anos ou mais, nas condições previstas em lei.

As alterações também estabeleceram regras transitórias para a apresentação do certificado de competência linguística. A aplicação dessas disposições deve ser conferida na legislação atualizada e nas instruções oficiais disponíveis no momento da solicitação.

Na naturalização comum, outros requisitos podem envolver residência legal, conhecimento da língua, integração social e condições relacionadas à conduta do requerente. Não se deve presumir que os mesmos critérios se aplicam a todas as modalidades.

O juramento de fidelidade ao Estado romeno também pode fazer parte da etapa final de determinados processos. Antes de concluir a preparação, confirme se o procedimento exige juramento, entrevista, certificado linguístico ou registro adicional.

Quanto custa e quanto tempo demora para tirar a cidadania romena?

O custo e o prazo dependem da modalidade, da documentação disponível, das formalidades exigidas e do andamento da análise administrativa. Não existe um valor único ou um prazo universal que sirva para todos os pedidos.

Para estimar o orçamento, considere três grupos de despesas:

  • Taxas oficiais: eventuais cobranças relacionadas a documentos, registros ou serviços consulares.
  • Preparação documental: emissão de certidões, apostilamento, tradução juramentada e correções de registros.
  • Serviços especializados: apoio genealógico, tradução ou orientação jurídica contratada pelo interessado, quando necessária.

Os valores devem ser confirmados diretamente com os prestadores e órgãos responsáveis. Não é recomendável utilizar estimativas de terceiros como se fossem taxas oficiais, especialmente quando o processo envolve documentos de diferentes países.

O prazo também varia. A necessidade de localizar registros antigos, esclarecer divergências e obter documentos estrangeiros pode prolongar a preparação antes mesmo do protocolo.

A Lei nº 21/1991 prevê prazos para determinadas etapas administrativas, mas a duração efetiva depende do procedimento, das verificações necessárias e de possíveis prorrogações legais. Não trate um prazo estimado como garantia de conclusão.

Para evitar despesas desnecessárias, comece pela identificação da modalidade e pela conferência dos documentos exigidos. Consulte os portais oficiais antes de pagar taxas ou contratar serviços.

Benefícios e responsabilidades da cidadania romena

A cidadania romena pode ampliar as possibilidades de viver, estudar e trabalhar na Europa. Como a Romênia integra a União Europeia, seus cidadãos também possuem os direitos associados à cidadania europeia, respeitadas as regras de cada situação.

Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Mobilidade europeia: possibilidade de residir em outros países da União Europeia, conforme as condições aplicáveis.
  • Oportunidades profissionais: acesso ao mercado de trabalho de outros Estados-membros sem a necessidade de uma autorização de trabalho comum para cidadãos de fora da UE.
  • Formação acadêmica: possibilidade de estudar em instituições europeias, observadas as regras de admissão, os custos e os critérios de cada programa.
  • Participação cívica: acesso a determinados direitos políticos e mecanismos de participação previstos para cidadãos europeus.

A Comissão Europeia reúne informações sobre esses direitos. A liberdade de circulação não elimina todas as exigências administrativas: estadias superiores a três meses, por exemplo, podem exigir registro de residência, conforme o país e a situação pessoal.

A cidadania também envolve responsabilidades. O cidadão precisa respeitar as leis aplicáveis, manter os documentos em situação regular e observar as obrigações administrativas, fiscais e eleitorais pertinentes.

Outro ponto importante é a manutenção da nacionalidade brasileira. A legislação romena admite a conservação da cidadania estrangeira nas hipóteses dos artigos 10 e 11, desde que o requerente cumpra as condições legais.

A situação brasileira, entretanto, deve ser analisada conforme as normas nacionais vigentes.

Perguntas frequentes sobre cidadania romena

Bisnetos de romenos têm direito?

Bisnetos podem ter possibilidade de obter a cidadania romena em determinadas situações, mas o parentesco, isoladamente, não garante o reconhecimento.

O artigo 11 da Lei nº 21/1991 contempla descendentes até o terceiro grau de antigos cidadãos romenos, desde que o caso atenda aos requisitos legais.

A elegibilidade depende do histórico do ascendente, das circunstâncias da perda da nacionalidade e da documentação que comprove a linha familiar.

É possível manter a cidadania brasileira?

A legislação romena permite conservar a cidadania estrangeira em determinadas modalidades de recuperação, conforme os artigos 10 e 11 da Lei nº 21/1991.

A situação brasileira exige uma análise própria, de acordo com a legislação nacional vigente. Antes de iniciar o processo, consulte as autoridades competentes para confirmar as consequências jurídicas e as obrigações relacionadas às duas nacionalidades.

É obrigatório falar romeno?

A exigência do idioma depende da modalidade de cidadania. As alterações legislativas de 2025 estabeleceram a comprovação de conhecimento da língua romena em determinadas hipóteses de concessão ou recuperação, com exceções previstas em lei.

Entre elas, há regras específicas para antigos cidadãos romenos. Consulte a Autoridade Nacional para a Cidadania para confirmar os requisitos e as regras transitórias aplicáveis ao seu caso.

Como dar o próximo passo em busca da cidadania romena

Se você encontrou documentos de um antepassado romeno ou conhece histórias familiares que apontam para essa origem, comece organizando os dados disponíveis.

Nomes completos, datas, locais de nascimento e certidões antigas ajudam a reconstruir a trajetória familiar e identificar a legislação que pode se aplicar.

Em seguida, consulte as fontes oficiais para verificar os requisitos, os documentos e o procedimento adequado.

Quando houver dúvidas sobre a interpretação da lei ou sobre a continuidade da cidadania entre gerações, procure um profissional habilitado para avaliar o caso individualmente.

A Cidadania4u publica conteúdos informativos que ajudam brasileiros a compreender temas relacionados à nacionalidade e à mobilidade internacional.

Para ampliar sua pesquisa sobre a história da imigração, conheça também nosso artigo sobre imigrantes europeus no Brasil.

Se o seu objetivo envolve construir uma trajetória acadêmica internacional, vale conferir ainda o conteúdo sobre como estudar na Europa.

A cidadania romena exige pesquisa, documentação e análise jurídica cuidadosa. Conhecer a história da família é um excelente começo, mas confirmar o enquadramento legal é o passo que permite avaliar as possibilidades reais de cada caso.